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Jornalistas debatem machismo na mídia e nas redações

No último sábado (14), jornalistas reuniram-se no auditório do sindicato da categoria na Paraíba para discutir o machismo na mídia e nas redações.

Publicado: 19 Março, 2020 - 09h59

Escrito por: Elara Leite

Elara Leite
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        No último sábado (14), jornalistas reuniram-se no auditório do sindicato da categoria na Paraíba para discutir o machismo na mídia e nas redações. A atividade fez parte de uma programação realizada em todo o país, com eventos relacionados ao assunto, em alusão ao mês da mulher.

                A CUT-PB foi representada no debate pela secretária de comunicação da central, que também é diretora de formação do Sindicato dos Jornalistas, Lúcia Figueiredo e pela secretária geral, Luzenira Linhares. Ambas ressaltaram a importância desse tipo de atividade para o fortalecimento das mulheres trabalhadoras.

                Uma audiência composta por mulheres e homens acompanhou o debate entre as profissionais Cláudia Carvalho (diretora de comunicação e imprensa do Sindicato dos Jornalistas), Angelina Oliveira (produtora da TV Cidade) e Sandra Moura (professora da UFPB). A diretora do departamento da mulher e da diversidade humana, Elara Leite, mediou a atividade.

                “Ficamos muito felizes em realizar esse debate sobre um tema tão pertinente e receber as colegas jornalistas. Também ficamos satisfeitas que os homens estejam interessados no assunto, uma vez que o machismo estrutural é um problema que precisa ser desconstruído dia após dia e a luta pela emancipação da mulher precisa do apoio de todos”, ressaltou Elara Leite.

                A diretora de comunicação e imprensa do Sindicato dos Jornalistas, Cláudia Carvalho, lembrou em sua fala os ataques que o presidente Jair Bolsonaro vem realizando contra a imprensa e as falas machistas que sempre fizeram parte do seu repertório, desde antes de tornar-se o mandatário maior do País. Ela comentou sobre o caso da jornalista da Folha de São Paulo, Patrícia Campos, que foi agredida com declarações sexistas do presidente e um depoimento machista e mentiroso na comissão sobre fake News no Congresso Nacional.

                Angelina Oliveira, produtora da TV Cidade, pontuou situações cotidianas na qual o machismo se manifesta nas redações e locais de trabalho. Esses momentos, segundo ela, são vexatórios para as jornalistas, que se sentem moralmente assediadas por alguns tipos de declarações e até por atitudes machistas de colegas homens e mesmo mulheres. De acordo com dados da FENAJ, cerca de 70% das mulheres jornalistas já se sentiram constrangidas com comentários ou atitudes machistas nos locais de trabalho.

                Já a professora da UFPB, Sandra Moura, abordou os malefícios que o machismo pode causar, afetando a autoestima e o bem-estar mental das mulheres jornalistas, que já sofrem com as pressões da vida cotidiana, deadlines e ainda têm que lidar com essas situações. Ela também destacou a importância da sororidade com outras colegas que estejam sofrendo com o machismo no local de trabalho e as vítimas de discurso machista da mídia. Para Sandra, o discurso da mídia é machista em sua natureza, reforçando estereótipos sobre a mulher, o que também acontece frequentemente na publicidade.

                Após as falas, os presentes realizaram perguntas que foram respondidas pelas debatedoras. Foi sugerido realizar uma coletânea de perfis sobre mulheres jornalistas que se destacaram na imprensa paraibana, para publicação posterior pela editora universitária, em parceria com o mestrado profissional em jornalismo da UFPB. Outra sugestão foi de fazer o recorte da saúde do jornalista e buscar atuar mais nessa frente.

                Um dos temas mais abordados durante o evento foi o assédio moral nas redações e a dificuldade em combatê-lo. A secretária de comunicação da CUT-PB e diretora de formação do Sindicato dos Jornalistas, Lúcia Figueiredo, acrescentou que existe uma subnotificação do assunto. “As mulheres têm vergonha de abordar esse assunto. Essa é uma ação coletiva e as entidades sindicais têm que estar preparadas para esse enfrentamento. Não dá para ter uma ação isolada nessa conjuntura que as pessoas têm medo de perder seus empregos. A solução tem que ser uma atividade coletiva dos sindicatos. E um evento como esse contribui muito porque ajuda a visibilizar o assunto”, concluiu.