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Enquanto população acessa serviços de bancos, colaboradores de agências adoecem

Na Paraíba, os bancários seguem realizando seu trabalho nas agências para assegurar acesso a serviços bancários, pagamentos do auxílio emergencial, seguro desemprego e FGTS da população.

Publicado: 21 Maio, 2020 - 17h46 | Última modificação: 21 Maio, 2020 - 18h02

Escrito por: Elara Leite

Divulgação
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Reunião entre Sindicato dos Bancários e MPT

Na Paraíba, os bancários seguem realizando seu trabalho nas agências para assegurar acesso a serviços bancários, pagamentos do auxílio emergencial, seguro desemprego e FGTS da população. Até o momento, levantamento do Sindicato dos Bancários da Paraíba aponta que cerca de 80 colaboradores de agências contraíram o coronavírus.

Para Magali Pontes, tesoureira da CUT-PB e bancária, a categoria é a segunda categoria mais exposta ao coronavírus no atendimento ao público, perdendo apenas para os trabalhadores da saúde. “Muitos bancários já foram afastados por suspeita de COVID. Enfrentamos muita dificuldade, principalmente com a Caixa Econômica, mas não só com ela. Na medida em que essas pessoas vão se contaminando ou vão sendo contaminadas no atendimento vai se criando um círculo vicioso de propagação do vírus. O bancário que leva o vírus para casa e acaba contaminando sua família ou o bancário que está contaminado atende pessoas dentro da agência, no caso de quem vai receber auxílio emergencial e vice-versa. É uma situação difícil”, analisou.

O Sindicato dos Bancários da Paraíba vem realizando cobranças junto aos órgãos públicos para incluir a categoria entre os grupos prioritários para testagem da COVID-19, para vacinação contra a gripe e pelo reforço na segurança dos pagamentos. Na quarta-feira (20), a diretoria do Sindicato dos Bancários reuniu-se com o Ministério Público do Trabalho, para discutir as ações que podem ser realizadas para garantir um protocolo de procedimentos para todos os bancos, desde o teste para os bancários que estão no front, fornecimento de todos os EPIs necessários e o termômetro na porta das agências como medidas de precaução.

“Que os bancários tenham direito, porque são considerados como serviço essencial, mas não na hora dos procedimentos de proteção desses trabalhadores. Os bancários por exemplo entre as pessoas que farão testes rápidos com prioridade, daí a nossa reivindicação para ter esse canal de negociação com os bancos”, lamentou.

Oito agências da Caixa Econômica Federal (CEF) na Paraíba, sendo seis em João Pessoa, uma em Santa Rita e outra em Sapé foram fechadas após funcionários apresentarem sintomas da Covid-19. Funcionários relataram a ausência de medidas de proteção. As Agências da Caixa fechadas foram Parahyba (no bairro Ernesto Geisel, em João Pessoa); Trincheiras (no centro de João Pessoa); Cidade Antiga (no Varadouro, em João Pessoa); Agência Tibiri (em Santa Rita); Cruz das Armas (em João Pessoa); Ministro José Américo (em João Pessoa); Mag Shopping (em João Pessoa) e Sapé.

“Às vezes o funcionário não está acometido, mas trabalhou ao lado de alguém que foi testado positivo. A dificuldade de saber que tem que ir para casa e lá está a família, criança pequena, sua esposa, seu esposo, isso é motivo de muito sofrimento. São pessoas que estão sendo pressionadas e acabam sofrendo por ambas causas. Os funcionários da Caixa, que é onde temos a maior concentração de problemas e foco de transmissão da doença estão colocando a vida deles em risco sem o devido reconhecimento e respeito”, denunciou a tesoureira da CUT-PB.

Devido à ausência de prioridade de testagem entre os bancários, muitos dos que apresentam sintomas estão pagando esses exames particulares, segundo denúncias recebidas pelo Sindicato dos Bancários.

“Testar esses funcionários, desinfectar as agências quando há casos suspeitos ou confirmados é o mínimo para a arrecadação de um banco, com os lucros que eles têm e às vezes as agências não procedem de maneira correta, ferindo os protocolos e orientações que vêm dos órgãos da saúde. Vamos tentar sensibilizar os bancos que assinem um ajuste de conduta e que se estabeleça um protocolo mínimo de procedimentos para quando há suspeita dentro da agência”, reivindicou.

Na Paraíba, até o momento, houve o falecimento de um bancário da Caixa Econômica, testado positivo. Na sexta-feira última (15), houve o falecimento de um trabalhador terceirizado na Agência Mangabeira do Banco do Brasil, um vigilante de 38 anos, por suspeita de COVID. “A agência, se deixar, continua funcionando como se nada tivesse acontecido. Essas coisas todas temos enfrentado. Está sendo muito difícil lidar com essa situação de exposição dos bancários. O auxílio emergencial precisa ser pago, as pessoas precisam receber seus salários e os bancários estão ali fazendo seu serviço, mas eles precisam ser reconhecidos, tratados com o devido respeito, ter à disposição deles todos os recursos possíveis e EPIs, teste e barreiras de proteção. É possível trabalhar de forma diferente e proteger os bancários”, ressltou.

Além de trabalharem expostos ao vírus, em alguns casos os bancos estão inclusive cortando funções gratificadas de gestores durante a pandemia, como aconteceu na Caixa Econômica Federal com o Superintendente de Rede, um Superintendente Executivo, e uma Gerente Geral de Rede em João Pessoa.

O Sindicato dos Bancários da Paraíba repudiou a decisão e ressaltou que é necessário um processo de apuração de responsabilidade, de forma que não haja perda de funções de forma injustificada e arbitrária, bem como corte de remuneração dos empregados em meio à crise que o país enfrenta, principalmente quando os funcionários forem afastados em razão de contrair o vírus.

“É uma categoria adoecida pelo medo, pela pressão. Por incrível que pareça, mesmo nesse cenário os bancos têm cometido verdadeiras barbaridades, como o descomissionamento de seus funcionários, cobranças das metas por resultados de negócios em uma conjuntura como essa, o que no nosso entendimento é extremamente irresponsável e de uma irracionalidade sem tamanho”, criticou Magali.

A Caixa anunciou a prorrogação do trabalho remoto até o dia 31 de maio. Dos mais de 85 mil empregados em todo o país, 70% estão em home office, além dos que pertencem ao grupo de risco. O restante está na linha de frente do atendimento. Apesar das cobranças das entidades sindicais, o governo se recusou a distribuir o pagamento do auxílio para outros bancos, sobrecarregando os empregados da Caixa, que vêm enfrentando uma jornada de trabalho exaustiva.