• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Debate virtual aborda ações contra a COVID-19

Nesta terça-feira (19), a secretária geral da CUT Nacional, Carmem Foro, participou de debate virtual com a CUT na Paraíba e movimentos sociais.

Publicado: 19 Maio, 2020 - 16h33 | Última modificação: 19 Maio, 2020 - 16h44

Escrito por: Elara Leite

notice

Nesta terça-feira (19), a secretária geral da CUT Nacional, Carmem Foro, participou de debate virtual com a CUT na Paraíba e movimentos sociais. Na ocasião, também foi realizada a reunião ampla para avaliação do 1º de maio.

Entre outros assuntos, Carmem Foro relembrou a importância da Plataforma Emergencial para Enfrentamento da Pandemia de Coronavírus e da Crise Brasileira, que envolve cerca de 60 entidades e apresenta diversas propostas para enfrentamento da COVID. As propostas apresentadas incluem a suspensão de exigência de pagamento do FIES por parte dos beneficiários, oferecimento de EPIs para os trabalhadores que estão expostos ao vírus, renda mínima, etc.

“O Estado brasileiro tem que ser o principal desembolsador para investir na vida das pessoas que estão passando dificuldade. Mesmo que alguns Estados e Municípios tenham tomado medidas importantes para salvar vidas, entendemos que o governo federal investiu muito pouco para isso”, ressaltou Carmem. O governo sancionou o pagamento de um auxílio de R$ 600 durante três meses para trabalhadores informais, segundo alguns critérios, mas deixou diversas categorias de fora, como motoristas de aplicativos, entregadores e agricultores familiares, por exemplo.

Carmem ressaltou a necessidade de divulgar a campanha da taxação das grandes fortunas e explicou que já existem vários projetos no Congresso sobre o assunto, cuja discussão se intensificou na pandemia. “Há muito tempo falamos sobre uma reforma tributária justa no país. Os trabalhadores e os que têm menos renda pagam mais imposto (32%), enquanto mais ricos pagam menos (21%). Isso existe na Constituição Federal, mas nunca foi regulamentado. Não interessa a quem está no Congresso Nacional. É um assunto bastante polêmico na sociedade brasileira e a mídia nunca tratou isso porque os donos das emissoras são ricos e sonegam muitos impostos”, lamentou.

A campanha pela taxação das grandes fortunas já tem mais de 150 mil assinaturas e a meta é chegar a 200 mil. “Temos um país com profunda desigualdade econômica, um fosso gigante entre os mais ricos e os mais pobres. Quem tem mais tem que pagar mais e precisamos levantar essa questão na sociedade brasileira”, pontuou a secretária geral.

Segundo dados do IBGE, somente no primeiro trimestre mais de 1,2 milhão de pessoas ficaram desempregadas e as projeções é que o índice de desemprego alcance até 17% durante o ano no Brasil. Por isso, Carmem Foro alerta para a necessidade de engajamento na campanha de solidariedade. “Não sabemos o que será do mundo, mas as perspectivas da classe trabalhadora não são boas. Precisamos enxergar as pessoas na sua integralidade, não apenas por aspectos econômicos. O movimento social está muito desafiado”, declarou.

Para ela, um dos agravantes dessa situação é a atual fase do capitalismo de plataforma, com a tendência de uberizar todos os serviços, o que apela para a informalidade das relações de trabalho e desafia o movimento sindical a se reorganizar ou acabar. Ela cita os 13 milhões de trabalhadores de aplicativos e entregadores que estão atuando no Brasil como exemplo.

“Vamos ter que nos adaptar a uma vida bem diferente que nós tínhamos do ponto de vista dos cuidados. Temos que nos tornar seres humanos melhores do que nós fomos no passado. Isso precisa ajudar na evolução coletiva e dos trabalhadores enquanto classe”, concluiu Carmem.

As entidades e centrais presentes na reunião prosseguiram com as pautas de avaliação do 1º de maio, que teve em sua maioria percepções positivas e encaminharam por uma nova reunião virtual na próxima terça-feira (26), às 9h, para tratar de ações que serão realizadas para promover as campanhas de taxação de grandes fortunas e fila única de leitos de UTI para COVID-19 na Paraíba.