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Coletivo de Mulheres denuncia Governo por fuga de mentor da barbárie de Queimadas

O detendo Eduardo Santos fugiu na noite do dia 17 de novembro da Penitenciária de Segurança Máxima, a PB1, em João Pessoa

Publicado: 26 Novembro, 2020 - 08h10

Escrito por: Ascom CUT-PB

Foto: Francisco França
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O presidiário Eduardo Santos conseguiu sair tranquilamente da Penitenciária.

O Coletivo de Mulheres Trabalhadoras da Central Única dos Trabalhadores da Paraíba (CUT-PB) está atribuindo à negligência das autoridades responsáveis pela Segurança Pública da Paraíba a fuga do mentor da barbárie de Queimadas. Fato ocorrido no dia 17 de novembro, quando o presidiário Eduardo Santos conseguiu sair tranquilamente da Penitenciária de Segurança Máxima de Mangabeira, mais conhecida como PB1.

Para Cícera Batista, secretária de Mulheres da CUT-PB, a fuga só aconteceu devido a abertura de espaço da própria Administração Penitenciária, pois o acusado teria fugido pelo portão lateral da penitenciária.  “Compreendemos que existiu uma negligência por parte da direção do presídio, uma vez que não é normal um condenado que está em uma penitenciária de segurança máxima enfrentar tão pouca dificuldade para fugir da prisão. A fuga só existe porque existem condições para que ela aconteça”, afirmou.

Ainda de acordo com a secretária de Mulheres, os episódios de fuga e impunidade contribuem para a propagação da violência. “A maioria dos agressores têm atitudes violentas porque estão amparados pela impunidade. Ela é cúmplice deles, é cumplice da violência que existe nesse país. A impunidade é a maior inimiga das mulheres agredidas, violentadas, mantidas em cárcere privado e assassinadas no Brasil. Porque o agressor tem a plena certeza que sairá impune, e quando acontece uma pena é branda o suficiente para dar abertura para uma fuga”, disse Cícera.

Dentre as ações realizadas no dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, juntamente com o movimento de mulheres da Paraíba, a Secretaria de Mulheres da CUT-PB solicita uma audiência com o Governador da Paraíba, João Azevedo, além de cobrar uma declaração pública com explicações sobre a fuga do mentor da barbárie.

Segue link de acesso ao formulário para coleta de adesões à carta - com prazo até 08 de dezembro: bit.ly/3nSq4MU

 

Divulgação/CUT-PBDivulgação/CUT-PB

Entenda o caso

Na noite do dia 17 de novembro o detento Eduardo dos Santos Pereira, condenado a 108 anos de prisão pelo estupro coletivo que resultou na morte de duas mulheres na cidade de Queimadas, interior da Paraíba, fugiu durante à noite pelo portão lateral da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, mais conhecida como PB1.

De acordo com o delegado geral da Polícia Civil, quatro dos policias que faziam a segurança no setor por onde o detento fugiu, foram encaminhados para a Central de Polícia para prestar esclarecimentos sobre a fuga do detento. Um deles foi autuado por facilitação culposa e liberado, quando não tem a intenção ou não foi uma ação planejada. Um inquérito foi instaurado para investigar como aconteceu a fuga.

Relembre o crime

Eduardo dos Santos foi julgado culpado, em setembro de 2014, pelos crimes cometidos no ano de 2012, a “Barbárie de Queimadas', onde cinco mulheres foram estupradas durante uma festa de aniversário, sendo duas delas – Isabella Pajuçara e Michelle Domingos – assassinadas por terem reconhecido os agressores.

Eduardo foi condenado a 106 anos e 4 meses de reclusão por dois homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores, porte ilegal de arma e estupros. Ele foi um dos últimos a ser julgado. Outros seis homens e três adolescentes também estão cumprindo medidas.